Santa destaca parceria entre a TI e as empresas têxteis

Roberto Krieck começou a carreira em uma empresa de tecelagem. Foto: Patrick Rodrigues

 

O Jornal de Santa Catarina publicou reportagem destacando a parceria entre a indústris têxtil e o setor de TI para o crescimento da economia de Santa Catarina.

O jornal destacou que a origem das empresas de TI da cidade está ligado à indústria têxtil, com a criação do Cetil, em 1969, empresa predecessora de todas as demais empresas de software da cidade e de onde saíram muitos empreendedores do setor.

Um dos destaques da reportagem é a Operacional, associada do SEPROSC, com entrevista de seu CEO e fundador, Roberto Krieck.

Clique AQUI para acessar a notícia

 

Confira abaixo a íntegra da reportagem:

Os corredores com grandes e modernas máquinas criadas para a indústria têxtil, além de serem soluções tecnológicas em softwares e automação, chamam a atenção e pouco lembram a imagem tradicional da tecelagem que muitos blumenauenses têm na memória. Na região famosa pelas fábricas de roupas e tecidos, eventos como a Feira Brasileira para a Indústria Têxtil (Febratex), que teve encerrada a 16a edição na sexta-feira, fazem questão de lembrar que os tempos são outros. Chame como quiser, de modernização ou de indústria 2, 3 ou 4.0, o setor mudou e trouxe de mãos dadas a área de tecnologia da informação (TI).

O polo de tecnologia de Blumenau tem desde a origem a ligação com o têxtil, na criação do Centro Eletrônico da Indústria Têxtil (Cetil) em 1969, quando as principais empresas do setor do município se uniram para compartilhar um único centro de informática. Mais que uma herança histórica, o setor serviu como uma alavanca para o TI da cidade, que hoje é reconhecido como um dos principais pontos de inovação em Santa Catarina.

– Tem um valor histórico, uma gratidão do TI pela vocação têxtil nos anos 1960 e 1970. Hoje são setores separados e eixos diferentes da economia de Blumenau, mas que têm uma convergência muito grande através da inovação – afirma Sérgio Tomio, diretor do Polo Tecnológico de Informação e Comunicação da Região de Blumenau (Blusoft).

A herança que liga as áreas fica clara na história de pessoas como o empresário Roberto Krieck. Formado em engenharia química e com especialização têxtil, ele começou a carreira dentro de uma empresa de tecelagem na região Norte de Blumenau, no setor de tinturaria. Nos anos 1980, chegou a trabalhar em outra empresa do ramo, e em 1988 viu a oportunidade de levar a experiência da área técnica para a parte tecnológica. Junto de outro sócio da área têxtil e um de TI, criou uma empresa de softwares voltados especificamente para o ramo dos tecidos. Iniciou com uma ferramenta de gestão de tinturaria – âmbito que dominava – e evoluiu para um software que organiza todos os processos da fábrica.

– O setor têxtil de Blumenau serviu como uma mola para impulsionar o setor de TI, e as indústrias acabaram sendo as principais beneficiárias desse polo de tecnologia. Empresas surgiram para fazer o têxtil produzir mais e melhor – conta o empresário blumenauense, que atualmente tem unidades em Blumenau e Rodeio e emprega cerca de 110 pessoas.

Nascida para o têxtil, a empresa de Roberto ampliou os horizontes dois anos atrás e passou a fazer softwares também para outras áreas. O movimento é acompanhado pelo setor de TI, que nascido do tecido acabou ganhando destaque nos sistemas para gestão de empresas (os ERPs). Roberto conta que a própria expertise e a complexidade dos procedimentos do setor de vestuário abrem portas para outros negócios e aprimoram os desenvolvedores.

– Atualmente temos a maioria das empresas com softwares para gestão em geral, sem foco em um segmento específico, mas no têxtil criam-se muitas oportunidades, até mesmo para soluções que acabam sendo vendidas para outras empresas de tecnologia – destaca Tomio, ressaltando a importância desse intercâmbio de setores.

Área têxtil é vista como nicho de mercado para a inovação
Com o setor de tecnologia em franco crescimento em Santa Catarina, tornandose pilar da economia local, as empresas da região e de fora enxergam potencial nas indústrias tradicionais. Assim como no Oeste, por exemplo, as startups têm feito soluções à agropecuária. Já no Vale do Itajaí, as fábricas de tecido são alvo das investidas dos desenvolvedores.

A diretora geral para a América do Sul de uma multinacional francesa de tecnologia, Adriana Vono Papavero, conta que a região de Blumenau é estratégica para o negócio de softwares da marca, que atende toda a área de desenvolvimento de coleções:

– No Brasil temos unidades em São Paulo e em Blumenau, e a decisão de abrir o escritório aqui (em Blumenau) foi por termos muitos clientes na região e em especial do têxtil. Mesmo com a crise econômica, as empresas continuaram investindo em tecnologia para reduzir erros, economizar matéria-prima e produzir mais e melhor – explica a executiva.

Além do número alto de fábricas e de faturamento, o setor têxtil é bem visto também por estar cada vez mais automatizado e contar com particularidades que pedem por soluções específicas. É por isso que, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Vestuário de Blumenau (Sintex), José Altino Comper, até mesmo empresas que costumavam atuar com softwares para outros mercados lançaram soluções para o segmento:

– A indústria 4.0 parte cada vez mais para a automação, melhorias na produção, menos estoques, mais agilidade, e isso demanda soluções que Blumenau tem desenvolvido e que a Febratex inclusive serve de vitrine. Uma empresa acaba sendo laboratório da outra, através de parcerias entre as têxteis e desenvolvedores.

Publicado em: 27/08/2018 14:30:14

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